Quando a gente está grávida, parece que recebe conselho sobre tudo. Falam sobre parto, amamentação, sono, fralda, cólica, enxoval, rotina… você pesquisa, pergunta para outras mães e tenta se preparar para o que está por vir.
Aí o bebê nasce e você percebe que algumas coisas simplesmente não têm como entender antes de viver.
Os primeiros meses são uma mistura de amor, cansaço, preocupação, aprendizado e adaptação. Você está conhecendo aquele bebê enquanto também tenta entender como ficou a sua própria vida depois que ele chegou.
E mesmo não sendo minha primeira experiência com a maternidade, estou percebendo tudo isso novamente agora, vivendo os primeiros meses com uma bebê pequena.
1. Você pode amar seu bebê e ainda sentir falta da sua vida de antes
Existe uma ideia de que, depois que o bebê nasce, a mãe deveria estar completamente realizada o tempo inteiro. Só que não é tão simples.
Você pode amar profundamente seu filho e ainda sentir falta de dormir sem pensar na próxima mamada, trabalhar algumas horas sem interrupção, sair de casa sem precisar planejar tudo ou simplesmente ter mais controle sobre o próprio tempo.
Uma coisa não anula a outra. A maternidade muda muita coisa de uma vez e nós também precisamos de tempo para nos adaptar à nova vida.
2. O cansaço não vem apenas das noites mal dormidas
Antes, é fácil imaginar que o grande problema será dormir pouco. E claro que o sono pesa, mas existe também o cansaço de estar constantemente responsável por alguém.
Você está sempre pensando se o bebê mamou, se precisa trocar a fralda, se está com sono, se aquele choro é fome, se alguma coisa está incomodando…
Às vezes o corpo até está parado, mas a cabeça continua funcionando. Essa carga mental é uma parte dos primeiros meses que eu não acho que seja tão falada quanto deveria.
3. Quando você acha que entendeu a rotina, alguma coisa muda
Bebê pequeno muda muito rápido. Você observa alguns dias e começa a pensar que finalmente entendeu os horários. Já sabe mais ou menos quando vai dormir, quando vai mamar e até começa a imaginar como encaixar outras coisas no meio disso.
Aí alguma coisa muda.
Por isso, hoje eu vejo rotina com filhos pequenos de outra forma. Não significa fazer tudo exatamente no mesmo horário todos os dias, mas ter algumas referências e uma organização que consiga acompanhar a vida real.
4. Coisas que antes eram simples começam a exigir planejamento
Sair rapidamente de casa deixa de ser tão rápido. Tem que pensar na fralda, roupa extra, lenço, mamada, bolsa e em mais algumas possibilidades que provavelmente nem passavam pela sua cabeça antes.
No começo parece muita coisa, mas depois você vai pegando prática. É até engraçado perceber que algumas situações que pareciam uma operação enorme começam a fazer parte do cotidiano.
5. Todo mundo tem um conselho para dar
Sempre tem alguém que conhece um bebê que dormia a noite inteira, alguma coisa que resolveu a cólica ou uma maneira “certa” de fazer o bebê dormir.
No começo, com tanta informação, é fácil ficar confusa. Com o tempo, a gente aprende a filtrar melhor o que faz sentido para a nossa realidade.
O que funcionou perfeitamente para um bebê pode não funcionar para outro. E quando tenho alguma dúvida relacionada à saúde ou ao desenvolvimento, prefiro buscar orientação profissional em vez de simplesmente seguir aquilo que funcionou para outra pessoa.
6. Nem todos os dias vão render da mesma forma
Essa é uma das coisas que mais aparecem na minha realidade porque eu trabalho em casa. Tem dia em que consigo trabalhar, resolver minhas prioridades e terminar sentindo que fiz bastante. Em outros, o bebê precisa mais de mim, aparece algum imprevisto e metade do que estava planejado fica para depois.
Estou aprendendo que não adianta esperar o mesmo nível de produtividade todos os dias.
Isso não significa abandonar meus planos ou meu trabalho. Significa entender que, nessa fase, a forma de chegar até eles precisa ser mais flexível.
7. Criar uma rotina de sono não significa controlar o sono do bebê
Essa é uma coisa que estou vivendo agora. Minha bebê está com 2 meses e estamos em processo de adaptação para criar uma rotina de sono durante a noite.
Aqui em casa, estou tentando estabelecer aos poucos uma sequência para o período noturno, buscando que ela durma por volta das 22h. Em algumas noites, ela consegue fazer um período maior de sono e vai até 6h, 7h ou até 8h da manhã.
Mas nem todas as noites são iguais. Tem dia em que funciona como imaginei e outros em que ela demora mais para dormir, quer mamar novamente ou simplesmente precisa de outra coisa naquele momento.
Por isso, estou tentando enxergar a rotina como uma referência, e não como uma regra. Repito alguns hábitos, observo como ela responde e vou entendendo o que funciona para nós.
Como ela ainda é muito pequena, essa é apenas a experiência que estamos vivendo aqui em casa, e não um método ou recomendação de sono para outros bebês.
8. Você começa a valorizar coisas que antes eram simples
Tomar um banho com calma, terminar uma tarefa, conseguir trabalhar por um tempo ou perceber que o bebê dormiu um período maior começam a ter outro valor.
Acho que é porque, nos primeiros meses, percebemos o quanto algumas coisas que fazíamos automaticamente dependiam de termos nosso tempo disponível só para nós.
E também estou aprendendo a não transformar isso em cobrança. Se ontem consegui fazer várias coisas e hoje não, não significa que o dia deu errado. Com um bebê pequeno, os dias simplesmente não são iguais.
9. Aos poucos, aquilo que parecia difícil começa a ficar normal
No começo, praticamente tudo parece novo: as primeiras noites, os banhos, entender os choros, sair de casa com o bebê e encontrar algum ritmo dentro dessa nova realidade.
Só que os dias passam e você vai aprendendo na prática. Sem perceber exatamente quando aconteceu, várias coisas que pareciam enormes começam a fazer parte do cotidiano.
Não porque a maternidade ficou fácil ou porque você descobriu uma fórmula perfeita. Você simplesmente conhece melhor o seu bebê e começa a entender como a vida funciona nessa nova fase.
No fim, ninguém consegue preparar você completamente
Acho que essa é a principal coisa que ninguém te conta sobre os primeiros meses com um bebê: por mais que você se prepare, uma parte você só vai entender vivendo.
Pesquisar, conversar, organizar a casa, pedir ajuda e buscar informação faz diferença. Mas a maternidade real sempre vai ter uma parte que não estava no planejamento.
Alguns dias serão mais tranquilos e outros vão bagunçar completamente aquilo que você tinha imaginado.
E talvez os primeiros meses sejam exatamente isso: enquanto o bebê está conhecendo o mundo, a gente também está aprendendo a viver uma vida nova.
Leia também: Como organizar a rotina trabalhando em casa com filhos

Nenhum comentário:
Postar um comentário